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Entreposto de Gaia – AEVP

Entreposto de V.N. de Gaia

Durante dois séculos foi em Gaia o que havia de importante sobre Vinho do Porto se passou. Era aqui que residiam os exportadores, eram aqui os armazéns, os laboratórios e as salas de prova. Era aqui que se recebiam os convidados e se faziam os negócios. O Vinho era muito mais do Porto do que do Douro.

A escolha de Gaia – que fica na foz do rio Douro – foi por un lado uma consequência natural da exportação do vinho desde o século XVII, que era feita por mar; por outro lado, Gaia é uma encosta virada a Norte e os armazéns conseguem conservar uma temperatura bastante amena ao longo de todo o ano. Sabe-se que as grandes amplitudes térmicas são um dois maiores inimigos dos vinhos que se pretende que envelheçam em casco. Neste aspecto particular, Gaia apresenta vantagens muito grande em relação a Douro. As altas temperaturas que assolam o Douro durante o Verão não só apressam o envelhecimento dos vinhos, como, lhes conferem aromas mais torrados.

Fonte “Tudo sobre o Vinho do Porto: os sabores e as histórias” – João Paulo Martins

Historia do Entreposto

Quando do foral de 1255, concedido por D. Afonso III a Vila Nova de Gaia, foi ordenado que as mercadorias que entrassem pela barra do Douro e aquelas que desciam o rio fossem descargadas e armazenadas em Gaia. Esta medida pretendia contrariar or privilégios do bispo de Porto e Cabido (corporação dos cônegos de uma catedral) que tinham no imposto (só extinto em junho de 1822 no reinado de D. José I!) “Portagem de Terra” um rendimento importante. No tempo de Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, advogava sua “Ilustríssima Junta” que os melhores vinhos da Região Demarcada ficassem armazenados em Gaia.

Assim, em Vila Nova de Gaia instalou seu “depósito geral dos Vinhos do Douro”. Segundo e engenheiro J. da Costa Lima, a armazenagem dos vinhos na margem esquerda do Douro, em frente á cidade do Porto, tinha plena justificação tecnológica. Aqueles terrenos de encosta, voltados para o norte, abrigados dos ventos fortes da barra, sobre o úmido (com predominância de clima úmido) e com muita abundância de água, clima fresco, eram particularmente favoráveis á conservação das vasilhas e dos vinhos nas mesmas contidas. A proximidade do rio e a facilidade de descarga das pipas que vinham da Região do Douro e a carga das mesmas destinadas á exportação evitavam despensas com  carretos.

A ideia do Entreposto surge com a legislação promulgada por Costa Cabral, portaria de 17 marco de 1843, que delimitou uma zona para a localização obrigatória dos armazéns que pretendessem ser considerados depósitos de Vinho do Porto. Criado pelo Decreto-Lei n° 12.007, de 31 de julho de 1926, sendo ministro de Agricultura o general Felisberto Alves Pedrosa, só dentro da área de Vila Nova de Gaia, perfeitamente definida, poderiam existir armazéns onde o Vinho do Porto era envelhecido e de onde era comercializado para os mercados interno e externo. 

Os limites de Entreposto foram então estabelecidos “…linha que partindo do Douro do lugar denominado Registro, e, seguido a leste dos prédios da Real Companhia Vinícola do Norte de Portugal, passava por Paço de Rei, Pereiretas, Santo Ovídio, Coimbrões, Regadas; a oeste dos prédios da firma Graham & Cª e termina no Rio Douro no lugar da Afurada (Rocha Martins)“. Por este diploma a administração do Entreposto e o controle de qualidade foram entregues aos vinicultores (Comissão de Viticultura da Região do Douro), o foi fortemente contestado pelos exportadores que não lhes reconheciam competência para tal. 
 
Em novembro de 1926 é criada uma Comissão de produtores e exportadores para estudar os problemas criados con a Lei nº 12.007. Por decreto de 14 de fevereiro de 1927 os exportadores passam a fazer parte da administração de entreposto, situação que terminou com a criação da Organização Corporativa do sector, nomeadamente a do Instituto de Vinho do Porto, seu único responsável. O Entreposto de Gaia ocupa área de 250 hectares, dos quais 50 com armazéns e instalações administrativas das empresas, situadas em maioria na freguesia urbana de Santa Marinha. Em 1986, pelo Decreto-Lei nº 86, a Região do Douro foi considerada uma extensão do Entreposto de Vila Nova de Gaia, pelo que o comércio e a exportação de Vinho do Porto passaram a poder ser feitos diretamente a partir da Região Demarcada. 

Fonte “Dicionário ilustrado do Vinho do Porto” – Manuel Pintão & Carlos Cabral